Livro e Filme - Capoeira - em preparação!

Entrevista do autor (Dr. Cesar):

          O Dr. Cesar Augusto Martins é uma dessas "figuras carimbadas", capaz de dedicar-se a várias atividades ao mesmo tempo e nelas se sair muito bem: cirurgião dentista (formado pela USP), ex-publicitário, escritor, pescador e minhocultor, caçador, ex-jogador profissional de baralho, pai de família zeloso, simpatizante e admirador do jogo de capoeira e sua história, ele é sobretudo um contador de histórias. Dá gosto conversar com ele, deixar-se contagiar pela emoção que o envolve cada vez que se põe a contar uma de suas interessantes histórias.

          Um dia, ele perguntou a um cineasta amigo seu:

- Roberto D'Ávila, eu já vi filmes de Caratê, Aikidô, Judô, Kung Fu etc., mas nunca vi um filme inteiro de Capoeira... por quê? Por que você não faz?

          Seu amigo respondeu-lhe então:

- Faça o livro que eu faço o filme!

          E não é que o livro saiu? E que livro!!! A história é vibrante, cheia de ação, enredo, humor, trama, romance, lutas sem fim, o bem contra o mal, e antes que vire um "best seller" aproveitamos o nosso dentista para uma entrevista bem humorada.

Papagaio de Pirata (PP): - Cesar, o que o motivou a realizar este trabalho?

Cesar: - Bão, era um desafio. Queria porque queria ver um filme que prendesse a atenção, mas de repente tinha de escrever o livro porque senão não teríamos o tal filme. Minha idéia é chegar um dia, sentar-me num cinema, cheio de pipoca e de amigos, ver a sala escurecer e na tela ver escrito em uma puta letra garrafal:

CAPOEIRA

E ver o meu sonho realizado. É ótimo ter um bom sonho!

PP: - De onde você tirou os nomes dos seus personagens?

Cesar: - Os nomes, tirei da própria Capoeira; os nomes de batismo que os capoeiristas recebem são apelidos, e historicamente eram necessários para ocultar-lhes o nome verdadeiro, dificultando-lhes a identificação. Entenda-se que a Capoeira era proibida, certo? Os apelidos são praticamente marcas registradas das pessoas, têm a ver com o comportamento dos alunos, seus trejeitos, suas manias, tiques nervosos, aparência corporal, o modo como jogam a Capoeira etc... Difícil seria colocar nomes que ainda não tivessem donos; afinal, temos mais de cinco milhões de capoeiristas espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Já imaginou se tiver que pagar direitos autorais pra todo mundo? Mesmo sendo uma obra de ficção, eu não posso fazer o que quiser ou como quiser... há regras e respeito!

PP: - O que você sente ao escrever sobre capoeira?

César: - É bem assim, ó: estou lendo (e escrevendo) uma história que nunca existiu antes. Enquanto escrevo, leio, rio, choro, fico muito puto, dou gargalhadas de que se admiram os que estão por perto, e torço, acompanho, e a coisa ganha vida própria... Tem personagem que a gente quer matar logo de cara e o desgraçado não aceita, continua aprontando ao longo do livro inteiro... é um saco, e quando o "mardito" morre ou desaparece, é um alívio, o fim de um sufoco! Você sabe que nunca terá um bom mocinho se não tiver um filho-da-puta de um bandito, né?

PP: - No final do seu livro, surgem em cena várias entidades do Candomblé para participar da luta. De onde veio isso?

Cesar: - Não veio... sempre esteve! Veja uma coisa: a Capoeira foi criada por escravos vindos da África, seres humanos donos de uma civilização, e de uma religião milenar, com raízes na própria história da humanidade. Como dissociar uma coisa da outra? Desde que os Orixás entraram na história do livro, tive de estudar, me informar, pesquisar na internet, consultar especialistas para poder, depois, já bem ilustrado, entrar no mérito. Devo dizer que fiquei surpreso à medida que estudava o tema. É uma religião cheia de riquezas ímpares, bela, belíssima. no livro, mostro algumas entidades, apresento-as ao público leigo, quem são, o que fazem, qual sua importância no contexto da história. Creia que são maravilhosas!

PP: - Qual a sua ligação com a capoeira?

Cesar: - Fiz a Universidade de São Paulo e, como estudante paupérrimo, tínhamos uma turma de "deslocados" que se reuniam (na saída das aulas) no Bar da Tia, ao lado do restaurante Tropeirinho. Lá, éramos mais de trezentas pessoas que gostavam de violão, samba, cachaça e capoeira, lógico, né? Foi lá que levei meus primeiros tombos, e foi lá que conheci alguns mestres que encantavam a todos com o mais lindo jogo que já existiu... o Jogo da Capoeira, da malícia, o xadrez-de-corpos...

PP: - E o filme?

Cesar: - Tá andando! Tenho até medo de que o filme saia antes que o livro!!! O único problema é que custa uns dois a três milhões de reais! Continuando, deve pintar uma co-produção americano/brasileira. A coisa está correndo... já traduziram o livro, o pessoal de lá se encantou, pediram músicas, fitas de vídeo, tá "pegando no breu"! O bam-bam-bam dos filmes está interessadíssimo, pois é faixa-preta de uma porrada de artes marciais e quer porque quer fazer um filme de capoeira... só faltava a história, e agora ela está na mão deste povo! O Roberto pilota as coisas daqui, e a grana vem de lá... Só tem um probleminha!

PP: - Qual?

Cesar: - Querem um personagem norte-americano; senão, necas de grana!

PP: - Sacanagem!!!

Cesar: - A gente dá um jeitinho! (risos)

PP: - E os personagens? Os atores?

Cesar: - Só faço uma exigência para que as coisas continuem a fluir: eu escolho o personagem Diabo Loiro! E faço questão absoluta de ter voto de Minerva em relação ao personagem principal.

PP: - E quem será o Diabo Loiro?

Cesar: - Segredo absoluto... só ele e eu sabemos!!! (risos)

PP: - Mas o cara joga capoeira?

Cesar: - É Mestre!

PP: - Fala prá gente sobre a cena no Clube?

Cesar: - Falo, sim... foi real, exceto o final. Imagine um verdadeiro sururu numa formatura de ginásio... no meio da confusão, tínhamos dois mestres, dois alunos avançados e mais três com boas noções de jogo... Aí, você coloca uma turba de uns cinqüenta querendo quebrar a cara de um deles, por um lamentável engano!!! Sete versus cinqüenta... Nunca vi tanta gente caindo no chão!!! Foi realmente hilariante... caíam de costas, de frente, de rodopio, diretamente, de rosca, de bunda, de costas, de peito... até que desistiram!

PP: - Caro Dr. Cesar... é prá quando?

Cesar: - Olha, Papagaio, primeiro, você pede ao Astronauta que faça a revisão do texto, aí eu te dou a data, tá bão?

PP: - Sacanagem!!!

Astronauta: - Alô, Dr. Cesar, terminei a revisão! Quando é que vai ser o lançamento do livro, afinal?

Cesar: - Tá bão: vai ser no mês de maio de 2002. O dia e local, eu anuncio depois. Axé!

 


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