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Maculelê - (Veja nossa página Maculelê)

Maitá - Parece ser corruptela de Humaitá, com síncope da sílaba inicial. Em face dos episódios da guerra do Brasil com o Paraguai, justamente na época em que os capoeiras começavam a chegar ao auge em suas atividades, as cantigas se referem sempre a Humaitá, daí poder-se admitir a hipótese acima.

Major Miguel Nunes Vidigal - Um ano após a chegada de D. João VI (1808), criou-se a Secretaria de Polícia e foi organizada a Guarda Real de Polícia, sendo nomeado para sua chefia o major Nunes Vidigal, perseguidor implacável dos candomblés, das rodas de samba e especialmente dos capoeiras, “para quem reservava um tratamento especial, uma espécie de surras e torturas a que chamava de Ceia dos Camarões”. O major Vidigal foi descrito como "um homem alto, gordo, do calibre de um granadeiro, moleirão, de fala abemolada, mas um capoeira habilidoso, de um sangue-frio e de uma agilidade a toda prova, respeitado pelos mais temíveis capangas de sua época. Jogava maravilhosamente o pau, a faca, o murro e a navalha, sendo que nos golpes de cabeça e de pés era um todo inexcedível". Sobre ele, também disse Mário de Andrade: "O Major Vidigal, que principia aparecendo em 1809, foi durante muitos anos, mais que o chefe, o dono da Polícia colonial carioca. Habilíssimo nas diligências, perverso e ditatorial nos castigos, era o horror das classes desprotegidas do Rio de Janeiro. Alfredo Pujol lembra uma quadrinha que corria sobre ele no murmúrio do povo:

Avistei o Vidigal.
Fiquei sem sangue;
Se não sou tão ligeiro
O quati me lambe.

(Mário de Andrade, introdução às Memórias de um Sargento de Milícias, São Paulo, 1941).

Malta - s. f. Gangues ou hordas de capoeiras que infestavam e infernizavam as ruas da cidade do Rio de Janeiro, no final do século XIX e começo do século XX, mancomunadas com a prostituição.

Malungo - s. m. Companheiro, camarada; da mesma condição. Etim.: os negros chamavam malungos aos companheiros de bordo ou viagem, generalizando-se depois no Brasil o epíteto; provém do locativo conguês m'alungu, contração de mualungu, no barco, no navio (Jacques Raimundo, O Elemento Afro-Negro na Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, 1933). ...

Mandacaru - s. m. Planta da família das cactáceas. Derivam-na de mandacaru, o feixe ou molho pungente.

Mandinga - Feitiço, despacho, mau-olhado, ebó. Os negros mandingas eram tidos como feitceiros incorrigíveis. Os mandingas ou malinkes, dos vales do Senegal e do Níger, foram guerreiros conquistadores, tornados muçulmanos. "Este povo, a que os negros chamavam mandinga, os espanhóis mandimença e masmol, maniinga (do radical mani ou mali, o hipopótamo, visto que eram povos totêmicos, e a terminação nke, povo), tinha uma índole guereira e cruel. Não obstante a influência maometana, eram considerados grandes mágicos e feiticeiros, e daí o termo mandinga, no sentido de mágica, coisa-feita, despacho, que os negros divulgaram no Brasil" (Artur Ramos, Culturas Negras no Novo Mundo, citado em Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro).

Mandinguêro ou Mandiguêro - adj. Corruptela de mandingueiro. Na capoeira, designa o capoeirista ladino, maneiroso, cheio de negaças, truques,disfarces e ardis.

Manduca da Praia -

Mangangá - O mesmo que gangambá.

Maracangalha - s. f. Nome próprio designativo de um lugarejo no Estado da Bahia. Famoso no mundo da capoeira, graças às façanhas do temível capoeirista Besouro, que lá morreu, assassinado com um golpe de faca de tucum. O termo foi imortalizado depois pelo grande cancioneiro Dorival Caymmi, com o samba que fez o maior sucesso na época:

Eu vou pra Maracangalha, eu vou
Eu vou de liforme branco, eu vou
Eu vou de chapéu de palha, eu vou
Eu vou convidar Anália, eu vou

Se Anália não quiser ir
Eu vou só, eu vou só, eu vou só
Se Anália não quiser ir
Eu vou só,
Eu vou só, eu vou só sem Anália,
Mas eu vou.

          A origem do nome ainda é desconhecida. Os habitantes do local dão a seguinte explicação: "Em época remota, que ninguém sabe precisar, mas que deve ter aí seus 200 anos, nos primórdios dos antigos engenhos, bandos de ciganos acampavam ali, constantemente, em suas andanças pelo sertão. Ao prepararem os animais para as viagens, gritavam uns para os outros: 'Amarra a cangalha'. Os pretos escravos pegaram a coisa e passaram a repetir a palavra deturpada, para zombar dos ciganos. Com o passar dos tempos, o uso se arraigou e Maracangalha entrou para a geografia do Brasil".

Maracatu - s. m. Grupo carnavalesco pernambucano, com pequena orquestra de percussão, tambores, chocalhos, gonguê (agogô dos candomblés baianos e das macumbas cariocas), que percorre as ruas, cantando e dançando sem coreografia especial. Respondem em coro ao tirador de loas, solista. Composto em sua maioria de negros. É visível vestígio dos séquitos negros que acompanhavam os reis de congos, eleitos pelos escravos, para a coroação nas igrejas e posterior batuque no adro, homenageando a padroeira ou Nossa Senhora do Rosário. Perdida a tradição sagrada, o grupo convergiu para o carnaval, conservando elementos distintos de qualquer outro cordão na espécie.

Marimbondo - s. m. (do quimbudo ma, pref. pl., + rimbondo, 'vespa'.)
1. Designação comum aos insetos himenópteros da família dos vespídios. 2. Alcunha que os portugueses davam aos brasileiros na época da independência. 3. Alcunha dos sediciosos pernambucanos que em 1852 se manifestaram em protesto contra a execução do decreto imperial de 18 de junho de 1851, que instituiu o registro de nascimentos e óbitos. 4. Dança popular em Goiás. "Os assistentes formam um círculo; o dançante fica ao meio deste, com o pote equilibrado sobre a cabeça. Os do círculo gritam: "Negro, o que qui tem?" Ele responde: "Maribondo, Sinhá!", passando as mãos pelo rosto e pelo resto do corpo, como se tirasse marimbondos que o mordessem, dançando, pulando sem se derramar a água do pote, encimada por um cuité. O instrumento próprio é a caixa ou o pandeiro. Quando o dançante se cansa, ajoelha-se aos pés do assistente que for escolhido para substituí-lo. Este, não querendo sair a dançar, pagará uma multa em bebidas: vinho, aguardente, etc., conforme os passes. (A. Americano do Brasil, Cancioneiro de Trovas do Brasil Central, S. Paulo, 1925).

Martelo - s.m. 1. Nome dado pelo sertanejo ao verso de dez sílabas, com seis, sete, oito, nove ou dez linhas. Câmara Cascudo explica a razão da denominação de martelo para este tipo de verso: "Pedro Jaime Martelo (1665-1727), professor de literatura na Universidade de Bolonha, diplomata e político, inventou os versos martelianos ou martelos, de doze sílabas, com rimas emparelhadas. Esse tipo de alexandrino nunca se adaptou na literatura tradicional brasileira, mas o nome ficou, origem erudita visível em sua ligação clássica com os primeiros letrados portugueses do primeiro quartel do século XVIII. Cantar o martelo, improvisá-lo ou declamá-lo, respondendo ao adversário no embate do desafio, é o título mais ambicionado pelos cantadores". 2. Nome de um golpe de capoeira; chute lateral que pode visar as costelas ou a cabeça do adversário.

Mestiçagem -

Muleque - [Do quimb. mu'leke, menino] s. m. Corruptela de moleque. 1. Negrinho. 2. Indivíduo sem palavra, ou sem gravidade. 3. Canalha, patife, velhaco. 4. Bras. Menino de pouca idade. 5. Engraçado, pilhérico, trocista, jocoso. [Fem.: moleca.] 

Munganga - s. f. (Var. de moganga,termo de origem africana) 1. Caretas, trejeitos, esgares, momices; mogiganga. 2. Carícias, lábias.

Muzenza - 


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