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Cabaça - s. f. (Cucurbita lagenaria, Linneu) É uma planta rampante. De uso múltiplo e secular entre os utensílios domésticos, herdados da indiaria. Usa-se na construção do berimbau: numa de suas extremidades, amarra-se uma cabaça, e esta, quanto mais seca estiver, melhor. Faz-se na cabaça uma abertura na parte que se liga com o caule e, na parte inferior, dois furinhos por onde passará o cordão que vai ligá-la ao arco de madeira e ao fio de aço.

Cabecêro - s. m. Corruptela de cabeceiro, derivado de cabeça, do latim capitiu. Cabeceiro designa o capoeira que usa, com freqüência, golpes com a cabeça.

Cabinda - s. 2 g. Dizem cambinda, no Brasil. 1. Região ao norte de Angola, entre o rio Zaire, o ex-Congo belga e o Atlântico. 2. Foi sinônimo do escravo africano. Indivíduo dos cabindas, povo banto da região de Cabinda. 3. A língua dos cabindas. 4. Dança mímica popular afro-brasileira, parte de certos maracatus em que os participantes dançam pulando de cócoras à maneira de sapos.

Cabôco - s. m. Corruptela de caboclo, de origem ainda controversa. Significa o nascido de pai indígena e mãe africana e, de um modo geral, designa o indígena do Brasil e da América.

Cabra - Além de ser designativo de um animal, é também o do mulato escuro e do indivíduo agressivo e de mau caráter. Esse tipo de gente sempre inquietou a segurança pública.

Cabula - s. m. Nome de um bairro de Salvador. Termo de origem ainda desconhecida. Esse bairro foi refúgio de negros africanos e até hoje está lá a marca de suas presenças, com os inúmeros candomblés, sobretudo os de nação Angola, que possuem um toque chamado cabula, daí a provável origem do nome do bairro.

"Caçador" - s. m. tombo que o capoeira dá, arrastando-se no chão sobre as mãos e um dos pés e estendendo a outra perna direita de encontro aos pés do adversário.

Calunga -  s. f. 1. Divindade secundária do culto banto. Deusa do mar e também dos cemitérios (Angola); 2. O fetiche dessa divindade; 3. Boneca levada na procissão dos Maracatu.

Camará - s. m. Corruptela de camarada, do espanhol, "grupo de soldados que duermen y comen juntos" e este do latim vulgar cammara. No linguajar da capoeira, aparece com a acepção pura e simples de companheiro.

"Cambar" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) v. Passar de um partido para outro.

Camboatá - s. m. Designa uma qualidade de peixe pequeno, que vive em água doce. Teodoro Sampaio deriva de caabo-oatá, o que anda pelo mato. Não obstante ser popular a forma camboatá, há as alterações cambotá, camuatá e tamoatá.

Camunjerê - Termo desconhecido na sua origem e na sua acepção.

Candomblé - s. m. Termo de origem ainda desconhecida. Designa a religião que os africanos trouxeram para o Brasil. Sua maior área de expansão é na Bahia e é designação mais específica da religião dos povos nagôs. Existiu no Brasil uma dança chamada candombe, muito comum nos países da região do Prata. Como quase todos os folguedos dos negros, essa dança esteve sempre na mira policial. Os candombes eram feitos em casa, em recinto fechado, não obstante saírem às ruas nos dias propícios. Era um folguedo profano, com interligações religiosas com o candomblé, como é o afoxé.

Cão - s. m. Do latim canes. Em geral, aparece nas cantigas de capoeira com a acepção de demônio.

Ca ô cabiesi - Corruptela de Ka wo ká biyè sì, expressão com que os povos nagôs saúdam Xangô, deus do fogo e do trovão e que, segundo Johnson, foi o quarto rei lendário de Oyó, capital dos povos iorubás.

Capadócio - s. m. 1. De, pertencente ou relativo à Capadócia (Ásia Menor). 2. Que tem maneiras acanalhadas. 3. Impostor, trapaceiro, parlapatão. Era como alguns cronistas se referiam aos capoeiras, até começos do século XX.

Capitão-do-mato - s. m. Bras. Indivíduo que se dedicava à captura dos escravos fugidos. "Capitães-do-mato, assim se chamavam os caçadores de negros, aos quais a lei em regulamentos especiais concedia poderes discricionários contra aquelas miseráveis criaturas que fugiam ao jugo da escravidão." (João Ribeiro, História do Brasil.)

"Carrapeta" - s. m. Pequeno esperto e audacioso que brama desafiando os inimigos.

Casa-Grande - s. f. Construção que servia de habitação aos senhores de engenho, no Brasil colonial. Caracterizava-se por grossas paredes de taipa ou de pedra e cal, coberta de palha ou de telha-vã, alpendre na frente e dos lados, telhados caídos num máximo de proteção contra o sol forte e as chuvas tropicais. Completada pela senzala, a casa-grande representa todo um sistema econômico, social, político: de produção (a monocultura latifundiária); de trabalho (a escravidão); de transporte (o carro de boi, o bangüê, a rede, o cavalo); de religião (o catolicismo de família, com capelão subordinado ao pater familias, culto dos mortos, etc.); de vida sexual e de família (o patriarcalismo polígamo); de higiene do corpo e da casa (o "tigre", a touceira de bananeira, o banho de rio, o banho de gamela, o banho de assento, o lava-pés); de política (o compadrismo). Foi ainda fortaleza, banco, cemitério, hospedaria, escola, santa casa de misericórdia amparando os velhos e as viúvas, recolhendo órfãos.

Cata-corumba - expressão cunhada por Mestre Suassuna para designar o agarramento no jogo da Capoeira, a imobilização do adversário, prática totalmente contrária às regras e ao espírito da Capoeira, apesar de muito utilizada hoje em dia, nestes tempos de desfiguração da arte/luta.

Cativo - adj. Que não goza de liberdade; escravo.

"Caveira no espelho" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) s. f. Cabeçada na cara.

Ceia dos camarões - O temido Major Vidigal instituiu uma seção de torturas para os capoeiristas, ironicamente chamada "Ceia dos Camarões". Curiosamente, Vidigal também era um capoeirista habilidoso.

Chamada - s. f. Um dos rituais da capoeira tradicional. As chamadas, também conhecidas como "passagens", erroneamente interpretadas como simples momentos de descanso durante o jogo, constituem um momento de extremo perigo; fazem parte dos rituais da capoeira tradicional, e visam a despertar a malícia dos seus praticantes. Quando for chamado, aproxime-se com bastante cautela, pois, dentro das normas da capoeiragem, o capoeirista que chama  poderá aplicar o golpe que desejar, caso o outro aproxime-se sem o devido cuidado. 

Chibata - s. f. 1. Vara delgada para fustigar; junco. 2. P. ext., chicote: cordel entrançado ou correia de couro, ligada ou não a um cabo de madeira, ordinariamente para castigar animais (ou escravos...) 3. Bras. Capoeira: Golpe traumatizante em que o capoeira, aproveitando-se de eventual posição abaixada do parceiro de jogo, apóia-se no chão com uma das mãos (como se fosse para um "pião-de-mão") e projeta todo o corpo por cima dos ombros; uma das pernas estará flexionada, e fará o apoio com a planta do pé no chão, quando o giro se completar; a outra, esticada, descerá qual chibatada sobre o corpo do oponente: ele, lá, que se cuide! Obs.: O texto correspondente no Novo Dicionário Aurélio, referente ao significado do termo chibata na Capoeira, é-nos, quase incompreensível; mestre Aurélio descreve talvez uma seqüência em que o capoeira tenta aplicar uma rasteira (em pé), erra o alvo, gira e se lança na chibata...

"Chifrada" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) s. f. Cabeçada.

Cocorocô - Voz onomatopaica emitida pelos galos.

Conceição da Praia - 

Corpo de Secretas -

Curió - 


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