- A -

Abadá - s. m. 1. Camisolão folgado e comprido usado pelos nagôs, semelhante ao traje nacional da Nigéria (Aurélio). Waldeloir Rego diz: "No Cais do Porto sempre estiveram os mais famosos capoeiras, mas a roupa usual, na sua atividade de trabalho, era calça comum, com bainha arregaçada, pés descalços e camisa tipo abadá, feita de saco de açúcar ou farinha do reino, e nas horas de folga do trabalho, assim se divertiam jogando sua capoeira." 2. Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte - Capoeira, a Abadá-Capoeira, criada em 1988 por mestre Camisa, irmão mais novo do mestre Camisa Roxa (um dos bambas de mestre Bimba). Durante 15 anos, mestre Camisa pertenceu ao grupo Senzala de Capoeira, para depois sair e fundar a Abadá-Capoeira.

Abalá - v. Corruptela de abalar (v.) Origem controvertida. José Leite de Vasconcelos ("Etimologias Portuguêsas", in Revista Lusitana, v.II., p.267), em parecer aceito por José Pedro Machado (Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa), propõe o latim hipotético "advalare" (ad vallen), na idéia de "ir para baixo", e depois, por generalização do significado, "pôr-se em movimento", etc.

Abará - [Do ioruba] s. m. Pequeno bolo de feijão, ralado sem a casca, condimentado e cozinhado em banho-maria envolvido em folhas de bananeira.

ABCA - Sigla da Associação Brasileira de Capoeira Angola, a mais representativa entidade de Capoeira Angola da Bahia, que teve efetivada a sua criação por influência de intelectuais e capoeiristas. Funciona hoje no casarão amarelo da Rua Gregório de Mattos, no Centro Histórico de Salvador/BA. Teve como primeiro presidente Mestre João Pequeno de Pastinha, e da primeira diretoria faziam parte também os mestres Moraes, Cobrinha Mansa, Jogo de Dentro e Barba Branca....

Afoxé - s. m. Procissão ritual de um candomblé, que durante o Carnaval vai se misturar com a festa popular.

Agogô - s. m. instrumento de música religiosa, composto de dois sininhos metálicos desiguais, que se bate com uma varinha igualmente de metal.

"Alfinete" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) s. m. faca, estoque.

"Alto da sinagoga" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) s. m. rosto, cabeça.

Angola - s. f. 1. Nome de um país africano. José Matias Salgado diz que o nome primitivo era Ndoango, que os portugueses fizeram Dongo ou Ndongo como registra Quintão, traduzido por canoa grande. Na língua bunda esta palavra dongo significa um tipo de embarcação, a canoa, toda construída de um só pau; sendo muito semelhante à figura do reino de Angola, deram-lhe os antigos o nome de Dongo, que parece bem apropriado. O nome atual de Angola foi dado pelos portugueses, pelo fato de os reis ou sobas da região serem chamados Ngola, daí a origem do topônimo Angola. 2. Designa a capoeira chamada Angola, em oposição àquela chamada Regional. 3. Designa um dos toques de berimbau para o jogo de capoeira.  

Angolêro - adj. m. Corruptela de angoleiro, derivado de Angola. Designa o jogador da capoeira chamada Angola.

Anum - s. m. Pássaro preto do gênero Crotophaga, Linneu. É um pássaro popularíssimo no nordeste do Brasil, que a imaginação popular associa ao negro, de maneira jocosa. Assim, quando um negro tem os lábios muito grossos, diz-se que tem bico de anum. O termo vem do tupi anu, vulto preto, indivíduo negro.

Apulcro de Castro - Além das maltas, há indícios de outras formas coletivas de organização dos capoeiras, nos instantes finais da escravidão no país. Observa-se, por exemplo, nítida aproximação entre capoeiristas e abolicionistas no depoimento do jornalista Carl Von Koseritz (Imagens do Brasil, publicado na Alemanha em 1885) ao comentar o linchamento do negro Apulcro de Castro, proprietário do pasquim de escândalos Corsário:

"[alguns dias depois do linchamento] ao cair do crepúsculo, grandes quantidades de capoeiras (negros escravos amotinados) e semelhantes 'indivíduos catilinários' se reuniram na praça de São Francisco e começaram, ali e na rua do Ouvidor, a apagar os bicos de gás, e, logicamente, a destruir os lampiões, enquanto gritavam alto e bom som "Viva a Revolução" (...) o Rio tem nos seus capoeiras um mau exemplo e deles se aproveita a propaganda revolucionária dos abolicionistas, sublevando os homens de cor pela morte do negro Apulcro (...)."

Aquinderreis - interj. Corruptela de aqui d'el-Rei. É uma oração elíptica, onde falta o verbo acudam, que formaria acudam aqui d'el-Rei. Era a maneira de se pedir socorro antigamente, por se entender el-Rei o único capaz de socorrer e dar proteção armada a alguém.

Armada - s. f. Golpe contundente do jogo de Capoeira. Um dos movimentos giratórios básicos do jogo, no qual o capoeirista gira sobre seu eixo, com uma das pernas estendidas horizontalmente, visando atingir o adversário com o lado externo do pé, nas costelas ou na cabeça.

Arpão de cabeça - s. m. É uma cabeçada aplicada no peito ou no abdome do adversário. Deve-se tomar o cuidado de entrar com as mãos cruzadas pouco abaixo da cabeça, para anular a possível joelhada no rosto.

Arrastão - s. m. Quando acossado frontalmente, o capoeirista projeta-se para frente e para baixo, buscando agarrar as pernas do adversário na altura dos calcanhares e, num movimento brusco, puxá-las para cima, enquanto, com a cabeça na altura do abdome do oponente, empurra-o para trás, derrubando-o. É muito perigoso aplicá-lo, porque, se não for bastante rápido, o capoeirista expõe-se a receber uma joelhada no rosto.

"Arriar" - (gíria antiga, transcrita em 1886 por Plácido de Abreu) v. deixar de jogar capoeira.

Aruandê - s. m. Trata-se do vocábulo Luanda, acompanhado de um a protético, seguido da troca do l pelo r na referida palavra e um ê exclamativo. Daí a composição a+Luanda+ê.

Asfixiante - s. m. Soco, murro direto aplicado na região inferior do rosto do oponente. Segundo Mestre Bola Sete (A Capoeira Angola na Bahia, Pallas, Rio de Janeiro, 1997), é golpe introduzido por Mestre Bimba, e que, como é o caso da cintura desprezada, dos balões e das gravatas, fazia parte das seqüências criadas pelo mestre, mas só era aplicado nos treinamentos realizados no C.C.F.R. e pelos demais praticantes da capoeira regional entre si, em suas respectivas Academias e jamais utilizados no jogo contra capoeiristas de outras escolas, que não utilizassem o método de Bimba.

Aú - s. m. Movimento básico do jogo de Capoeira, utilizado como fuga e deslocamento. Projetando-se lateralmente, o capoeirista leva as mãos ao chão (uma, depois a outra) apoiando-se nelas enquanto eleva as pernas, como se "plantasse uma bananeira", completando o giro e voltando à posição inicial, de pé.

Aviso - Segundo Waldeloir Rego, Mestre Canjiquinha (Washington Bruno da Silva) usava um toque chamado de "Aviso", que seu mestre Aberrê dizia ser tocado por um observador, um tocador que ficava num oiteiro, vigiando a presença do senhor de engenho, capitão do mato ou a polícia. Tão logo era sentida a presença de um deles, os capoeiristas eram avisados por meio desse toque. Em nossos dias, o comum a todos os capoeiras é o toque chamado "Cavalaria", usado para denunciar a presença da polícia montada, do conhecido Esquadrão de Cavalaria, cuja grande atuação na Bahia ocorreu no tempo do chefe de polícia chamado Pedrito (Pedro de Azevedo Gordilho), que perseguia candomblés e capoeiristas, passando para o folclore, através da imaginação popular, em cantigas como:

Toca o pandeiro
Sacuda o caxixi
Anda depressa
Qui Pedrito evém aí.

Axé - s. m. 1. Cada um dos objetos sagrados do orixá - pedras, ferros, recipientes, etc. - que ficam no peji das casas de candomblé. 2. Alicerce mágico da casa do candomblé. 3. Axé designa em nagô a força invisível, a força mágico-sagrada de toda divindade, de todo ser animado, de todas as coisas. Corresponde, grosso modo, à noção tão cara aos antropólogos, de mana. É a força sagrada, divina, que todavia não pode existir fora dos objetos concretos em que se encontra, de tal modo que a erva que cura é axé, e que o alimento dos sacrifícios é também axé.

 


Voltar ao
índice

©  Copyright Capoeira do Brasil. Todos os direitos reservados.